Uma das primeiras perguntas de qualquer empresário ao considerar energia solar é objetiva: quanto vou economizar por mês? A resposta depende do consumo atual, da tarifa aplicável e do dimensionamento do sistema, mas é possível construir uma estimativa confiável a partir de alguns parâmetros conhecidos do mercado no Piauí e no Maranhão.
O ponto de partida: a fatura atual
Toda simulação séria começa pela fatura de energia dos últimos 12 meses. É ali que aparecem o consumo médio em kWh, a modalidade tarifária (B3, A4 verde ou A4 azul), a demanda contratada (se houver) e o valor efetivamente pago, incluindo tributos e encargos. Sem esses dados, qualquer estimativa de economia é apenas um chute.
Consumo médio por porte de empresa
Embora cada negócio tenha particularidades, é possível traçar faixas de referência: pequenos comércios e escritórios costumam consumir entre 300 e 1.000 kWh por mês; comércios médios, entre 1.000 e 3.000 kWh; e empresas de maior porte, com câmaras frias ou processos industriais, ultrapassam 5.000 kWh mensais, muitas vezes já enquadradas no Grupo A.
Simulações por porte
Considerando a tarifa comercial média cobrada pela Equatorial Energia no Piauí e no Maranhão, e um sistema dimensionado para cobrir entre 95% e 100% do consumo, as estimativas de economia mensal costumam seguir a seguinte referência:
- Pequeno negócio (500 kWh/mês): economia mensal estimada entre R$ 350 e R$ 500.
- Comércio médio (1.500 kWh/mês): economia mensal estimada entre R$ 1.000 e R$ 1.400.
- Empresa de médio-grande porte (4.000 kWh/mês): economia mensal estimada entre R$ 2.800 e R$ 3.800.
- Empresa com demanda contratada (Grupo A, alto consumo): economia mensal pode ultrapassar R$ 8.000, somando energia e eventual redução de demanda.
Esses valores são referências e variam conforme a bandeira tarifária vigente, o reajuste anual da distribuidora e o percentual do fio B já em vigor conforme o cronograma da Lei 14.300/2022. Em nenhum cenário se deve prometer economia acima de 75% da fatura total como regra geral para novos projetos comerciais, dado o peso crescente do fio B ao longo dos próximos anos.
Economia anual e projeção de 25 anos
Multiplicando a economia mensal por 12 meses e projetando ao longo da vida útil do sistema (25 anos, com depreciação de cerca de 0,5% ao ano na geração dos módulos), o resultado acumulado costuma superar em muitas vezes o investimento inicial, mesmo descontando o reajuste tarifário e o custo de eventual manutenção preventiva.
Fatores que aumentam ou reduzem a economia
Aumentam a economia: consumo diurno concentrado, tarifa mais cara (Grupo A ou B3 alto consumo), boa exposição solar sem sombreamento, e equipamentos de qualidade com baixa taxa de degradação. Reduzem a economia: telhados com sombreamento parcial, consumo predominantemente noturno, e dimensionamento abaixo do ideal por restrição orçamentária.
Peça sempre a simulação com sua fatura real
Estimativas genéricas são úteis para planejamento inicial, mas a decisão final deve ser tomada com base em uma simulação feita a partir da sua fatura de energia real, considerando seu perfil de consumo e a modalidade tarifária específica do seu contrato.
Conclusão
Independentemente do porte, a energia solar tende a gerar economia relevante e crescente ao longo do tempo, porque atua sobre um custo que só tende a subir: a tarifa de energia elétrica. O primeiro passo prático é sempre reunir as últimas faturas e solicitar uma análise detalhada.
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