Você não precisa de um engenheiro para ter uma boa estimativa da economia que a energia solar traria para o seu bolso. Com a última conta de luz na mão e este passo a passo, você chega a um número muito próximo do que um projeto profissional vai apresentar — o que é ótimo para negociar com integradores e evitar propostas fora da realidade.
Passo 1: consumo médio mensal
Some o consumo em kWh dos últimos 12 meses (você encontra o histórico no verso da conta ou no aplicativo da distribuidora) e divida por 12. Esse é o seu consumo médio. Se você não tiver 12 meses, use pelo menos 6 e ajuste manualmente para eventos atípicos (mudança para casa nova, aquisição de ar-condicionado etc.). Anote esse número: chamaremos de C.
Passo 2: consumo faturável
Do consumo médio C, subtraia a tarifa de disponibilidade obrigatória: 30 kWh (monofásico), 50 kWh (bifásico) ou 100 kWh (trifásico). Esse é o consumo que faz sentido cobrir com solar. Chamaremos de Cf. Exemplo: consumo médio de 600 kWh em ligação trifásica → Cf = 500 kWh.
Passo 3: tarifa efetiva
Pegue o total da conta (sem CIP e sem valor de bandeira, se possível) e divida pelo consumo em kWh do mês. Esse é o custo real por kWh, incluindo todos os impostos. Nas concessionárias do PI e MA, esse valor costuma estar entre R$ 0,90 e R$ 1,10 por kWh. Chamaremos de T.
Passo 4: economia mensal estimada
Multiplique Cf × T. Esse é o valor máximo mensal que a energia solar pode eliminar da sua conta. Usando o exemplo acima com T = R$ 1,00: 500 × 1,00 = R$ 500 de economia potencial mensal. A economia anual é 12 × R$ 500 = R$ 6.000.
Ajuste pela Lei 14.300/2022
Para sistemas novos, aplique um redutor de 5% a 10% sobre a economia calculada, referente ao pagamento parcial do fio B em vigor no ano da instalação. O redutor cresce até 2029 (90% do fio B).
Passo 5: dimensionamento do sistema
Para gerar C em kWh/mês no PI ou MA, use como referência 140 kWh/mês por cada kWp instalado (média anual para a região). Divida C por 140 para saber a potência mínima. Exemplo: 600 ÷ 140 = 4,28 kWp — ou seja, um sistema de aproximadamente 4,5 a 5 kWp cobre com folga o consumo dessa residência.
Estimativa de investimento
Em 2026, o preço médio instalado no Piauí e Maranhão para sistemas residenciais gira entre R$ 3.900 e R$ 4.600 por kWp, dependendo da marca dos equipamentos, complexidade do telhado e distância. Para o exemplo de 5 kWp, isso significa aproximadamente R$ 20.000 a R$ 23.000 já com projeto, homologação e instalação inclusos.
Payback simples
Divida o investimento pela economia anual: R$ 21.500 ÷ R$ 6.000 = 3,58 anos. Adicione 10% para incorporar o efeito da Lei 14.300 e chegamos a aproximadamente 4 anos — perfeitamente compatível com o padrão do mercado.
Erros comuns
- Usar apenas 1 mês de conta como base — a variação sazonal pode enviesar muito o resultado.
- Esquecer de descontar a tarifa mínima obrigatória.
- Considerar 100% do valor da conta como economia (a CIP e a taxa mínima nunca zeram).
- Ignorar o custo de troca do inversor entre o 10º e o 15º ano.
Do cálculo à decisão
Esse método é uma ótima porta de entrada. Para tomar a decisão, peça sempre um estudo profissional que analise seu telhado (área útil, inclinação, orientação, sombreamento), o padrão de conexão da concessionária e o dimensionamento fino considerando degradação e reajustes. Esse estudo, feito pela Ecolumen, é gratuito e vem em até 48h a partir do envio da sua conta de luz.
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